Felipe Simas Instagram – “O meio é a mensagem”. Com essa expressão, o teórico das comunicações Marshall McLuhan já tentava nos mostrar lá pelos idos dos anos 60 como a tecnologia transforma a sociedade por suas qualidades inerentes.
Hoje, na era da inquisição digital, somos testemunhas de um desespero generalizado de artistas e “artistas” (sim, estou falando dos com e dos sem aspas mesmo) em soar cool e despretensiosos. É curioso ver como a gente acha que consegue camuflar a nossa incessante busca por curtidas, só que não.
Publicitários travestidos de “artistas” (os tais com aspas) estão espalhados por todos os cantos e mídias. O que acontece é que o brilho desses (e muitas vezes são, de fato, brilhantes) não costuma ir além do próprio reflexo narcisista em poças rasas de clichês. Transbordam artificialidade e superficialidade se apropriando de debates e causas importantes com o intuito único de se fazerem cultuados.
É a nossa eterna ânsia de sermos amados, desejados e idolatrados gritando mais alto e sendo engolida em um looping sem fim de contradições. O mundo já anda cheio de falaciosos gurus de autoajuda. E a função da arte (se é que ela precisa ter uma função!) passa bem longe disso.
À parte isso, durante os meses reclusos de pandemia, tive o gigantesco privilégio de testemunhar dois intensos, doloridos, complexos e absurdamente verdadeiros processos criativos tomarem forma: COR (Itaipava, 2020) e GRACINHA (Indaiatuba e Outro Preto, 2021).
No mês passado, COR foi laureado com dois Grammys Latinos e GRACINHA foi lançado e está disponível no Disney+. Alegria sem tamanho de fazer parte e de realizar projetos ao lado dessas três grandes e autênticas artistas. Arte é resistência. | Posted on 12/Dec/2021 20:18:30



