Pedro Malta Instagram – Uma ida e meia volta
A rua pela qual a vida caminha apressada, como se temesse que o próprio viver pudesse roubar-lhe os anos tão inesperadamente quanto um trombadinha bate uma carteira, é, ao mesmo tempo, etária e etérea.
Etária porque envelhecemos, não há como evitar – eu mesmo estou às vias de dobrar a balzaquiana esquina dos 30, e já sou mais velho que meu próprio pai à idade que foi pai pela primeira vez.
Ela também é etérea, pois andar é acumular e encurtar distâncias a cada passo – o chão percorrido fica pra trás, e as lembranças, as pegadas da mente, permitem que possamos revisitar o caminho na memória, como alguém que perde algo e precisa refazer seu trajeto.
Felizmente nada perdi, ao contrário: acabei encontrando-me alegremente às portas da minha estreia na paternidade. Portanto quero revisitar minha primeira grande lição neste “ofício”.
Você sabe qual é a distância ideal que um pai deve percorrer pelos seus filhos?
Uma ida e meia volta. Vou explicar…
Já faz algum tempo, eu tinha algo entre 18/19 anos, mas mantive o hábito de realizar visitas frequentes à casa do meu pai – coisa que faço até hoje, aliás, devido aos muitos gostos em comum e a sempre bem-vinda oportunidade de “filar” uma dosinha de bom whiskey junto com uma boa conversa.
À epoca, ele morava a cerca de 2 quarteirões de distância do prédio da minha mãe, e o caminho entre os dois endereços era praticamente uma reta, cortada pela travessia de uma movimentada avenida.
Não raramente, ele também vinha ao meu encontro: conversava comigo no hall do prédio de mainha, provocava o porteiro do time rival sobre algum resultado futebolístico quase sempre desconhecido por mim (a paixão pelo esporte é uma das nossas poucas incompatibilidades) e ao nos despedirmos eu fazia questão de deixá-lo em casa, mesmo diante de qualquer protesto seu.
(CONTINUA NOS COMENTÁRIOS) | Posted on 14/Aug/2022 18:52:24



