Marta Fernandes Instagram – #saudemental
Comecei a ouvir falar da expressão em 2008, com o primeiro ataque de pânico. Com a ligeireza de que seria um episódio pontual e passageiro, não lhe dei muita importância. Até acontecer o segundo e dar por mim, longe de casa, para onde tinha “fugido” para descomprimir, a engolir victans, porque o medo de que se repetisse começou a assustar-me mais do que o próprio medo. A gravidez veio interromper o ciclo de eventos mas, dois anos depois da minha filha nascer, recomeçaram, e não pararam, durante 5 meses consecutivos. 5 meses de aflição, várias terapias, medicação, e muito apoio da minha mãe (porque nessa altura não se celebrava a saúde mental a uma escala planetária). Era ela a única que sabia o que estava a acontecer comigo. Era sentada à sua frente, na cama revolta, que lhe suplicava que me ajudasse. A memória das lágrimas a rolarem infinitamente no meu rosto, e o olhar aflito da minha mãe, sem saber como me salvar, ainda me assaltam, muitas vezes. Passaram 15 anos. A expressão já vive acomodadamente comigo. Já aprendi a dar-lhe valor e a cuidar-me, a cuidá-la. Mas é um exercício diário. O equilíbrio e saúde mental não são, para mim, uma condição permanente e garantida. Sou atenta, sensível a flutuações e ainda tenho medo. Sonho muitas vezes acordada com o dia em que, por milagre, receba a informação privilegiada de que não voltarei a sentir medo, ansiedade, pânico ou tristeza. Mas sei que esse dia não chegará, porque este é um caminho que se faz caminhando, e que não é na chegada que estão a felicidade e a aprendizagem. E eu continuo a aprender como é que se vive com a ansiedade. E tenho recebido dela muitos ensinamentos: o que é a empatia pelo outro, o que é a resiliência, a alegria de sentir-me bem, que tudo passa, que não estou sozinha (apesar de me sentir sempre sozinha, quando a ansiedade bate), que a respiração é um trunfo poderoso com que fomos munidos, que tenho que pedir ajuda, que há coisas que não importam para nada, e outras que são vida, que os meu corpo é um templo e que tenho que dedicar-lhe tempo e afeto, que não quero ser escrava do desconforto, mas que tenho que aceitá-lo e dar-me tempo. Que sou perfeitamente imperfeita. 🪷 | Posted on 10/Oct/2023 22:27:45
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