Pedro Ribeiro Instagram – Discos de uma vida. Mais um.
Tropicália 2 é dos meus discos preferidos da música brasileira. Ganhou, com os anos, uma certa aura de jóia rara. É que não está disponível nos Spotifys da vida, e conseguir comprar em CD ou vinil é quase impossível.
Gravado pela dupla Caeteno/Gil, foi editado em 1993, festejando o 25º aniversário de um dos mais importantes discos de sempre da música brasileira: o lendário álbum “Tropicália ou Panis et Circencis” um disco de 1968, que juntou Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Os Mutantes e Gal Costa, ícone do tropicalismo.
Tropicália 2 fecha com o extraordinário “Desde que o samba é samba”
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas abre com o fortíssimo Haiti, um manifesto musical de denúncia do racismo, da violência policial, da pobreza estrutural, fala também do direito ao aborto, da pena de morte, enfim, um tratado de música com mensagem forte. Uma canção absolutamente extraordinária, a abrir um disco especial:
Não importa nada
Nem o traço do sobrado, nem a lente do Fantástico
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém
Ninguém é cidadão
“Tropicália 2” é um álbum que hoje é uma raridade, e que tem outros temas muito bons, como aquele que invoca o movimento do “Cinema Novo”, a homenagem a Jimi Hendrix em “Wait Till Tomorrow”, “Cada macaco no seu galho” ou “As coisas”.
Tenho saudades de ouvir estas músicas. Como digo, não está disponível em Streaming, não sei onde estará o meu CD, e não se encontra à venda em lado nenhum.
As coisas não têm paz. | Posted on 12/Nov/2023 00:44:37



