Maria Dias Instagram – Vi televisão nas férias e apanhei um concurso de chefs. Percebi que chamam “proteína” a tudo que seja animal. E que qualquer prato que não tenha a “proteína” fica perneta. É pena. Porque carne ou peixe não são proteína. É como se olhassemos para a fruta e lhe chamassemos vitamina. Ou hortaliças serem ferro. E feijão, proteína #2.
Já viram o quão redutor é chamar um macronutriente ou nutriente a um alimento complexo?
Está profundamente errado divulgar num canal público a ideia falsa de que a “proteína” (animal) é fundamental num prato, sobretudo numa sociedade doente por excesso de proteína, e num planeta a explodir com o excesso de consumo de “proteína”.
Está profundamente errado que se designe “proteína” a carne e o peixe. E que os animais usados sejam, mais uma vez, reduzidos a um nome circunstancial, que desumaniza ainda mais o seu uso e abate.
Os concursos de chefs ou programas de culinária podem (devem) ser interessantes e educativos, sobretudo na televisão pública. E, pelo que sei, a última vencedora ganhou com um prato sem proteína. Vá lá, chamem os certos nomes às coisas, chega desta febre insana de proteína, ainda para mais em prime time.
Esta foto é de um Arroz de Carqueja com Pleurotus em Vinha d’alhos Panados, do livro Vegan Gourmet, e garante a pés juntos que não lhe falta proteína nenhuma. | Posted on 05/Jan/2024 02:47:58



