Renato Godinho Instagram – Quase 20 anos depois, voltei ao mundo branco de Slava.
Um dos espectáculos mais bonitos que vi. Um hino à sensibilidade e mestria da comunicação física. Gostei da resistência. A resistência ao tempo. O tempo, urgente, cada vez mais esfomeado, mostrava as mandíbulas, arregaçava as unhas, mas os artistas no palco nem sequer vacilaram, impuseram o seu ritmo e o seu tempo. Vinte anos depois não houve cedência absolutamente nenhuma à demolidora alteração de timing que tudo sofreu. “Em troca da minha arte, exijo o vosso tempo”.
Tudo é comércio, tudo tem de ser um circuito. Resta encontrar circuitos que sejam positivos para todos os que neles participem. É o caso. No público, desconcertante ver gente crescida que já desaprendeu de ser criança, mas que não resiste a tentar, envergonhada, o corpo rígido, mas as memórias tentam. A interactividade do espectáculo não é um mero recurso sedutor, é uma maneira de nos convidar a brincar, de nos lembrar que a imaginação já foi o motor do mundo, que não podemos deixar morrer a criança que temos cá dentro. Uma teia que cobre e une toda a plateia no fecho da primeira parte parece instar-nos a uma unidade, qualquer coisa de comum, que nos une, o essencial. Não se distraiam, atentem bem no que se pretende. Propósito, propósito.
Um espaço onde o suficiente é muito, num mundo onde nada parece bastar. | Posted on 06/Apr/2024 23:14:46
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