Filipa Maló Franco Instagram – A comunicação por palavras é limitada e bem sei, que talvez seja utópico comunicar para tantos sentires, experiências e histórias, até porque também não espero fazer sentido para todos os que me lêem.
A maternidade é um mundo. As disponibilidades físicas e psíquicas não são iguais. As prioridades também não. A forma como se vive e sente idem.
Incomoda-me que à boleia da “exaustão das mães e dos pais” se generalize um sentir, que serve de base para se ignorar a biologia e questões de desenvolvimento naturais. E incomoda-me mais ainda, que seja tão difícil para o adulto se descentrar, apelando que sabe sempre o que é melhor para o bebé, como se as exigências dos bebés não fossem válidas.
Quando apontam o dedo a um discurso informativo sobre a biologia e questões de desenvolvimento, como não tendo atenção perante as necessidades do adulto, é assumirem que todas as experiências de maternidade e parentalidade são iguais. É assumir que todo o adulto se encontra à beira de um ataque de nervos e no limite. É assumir que todos lidam com a privação de sono da mesma forma. É assumir que a exaustão é igual para todos. É pegar no sentir individual e assumi-lo como único caminho válido.
Dar voz ao bebé, que se encontra claramente em desvantagem, não é ignorar o adulto. É dizer que a par das necessidades do adulto, que terá à partida mais recursos, existe um bebé que também as tem. E que aquilo que pede, se inscreve num conjunto de necessidades mamíferas, relacionais, fisiológicas que à luz do conhecimento actual, se compreendem e identificam.
Para mim parece-me óbvio, que o caminho será sempre olhar a família como um todo. Sempre na sua dimensão subjectiva e individual naquele momento. E ao trabalhar na área perinatal e parentalidade, trabalho as situações de forma diferente, porque as famílias também o são. E apesar de existir uma base biológica e de desenvolvimento, não vale tudo e as emoções de todos são importantes. Contudo, a meu ver, o caminho será sempre partir da base, e depois se ir trabalhando, mediante as dificuldades que vamos encontrando. E se, existirem.
Para tudo, há razões, escolhas e consequências; sempre respeitando e escutando o limite de todos | Posted on 10/May/2024 17:48:47


