Pêpê Rapazote

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Viva o Tratado de Zamora
E pois, foi aqui que tudo começou. E nós continuamos a comemorar a restauração da Independência, (aquela que nasceu do tratado de Zamora) , a implantação da República, o 25 de Abril, um tal 10 de Junho da Portugalidade e muitas coisas mais… mas a fundação da nacionalidade , a que tornou possível tudo aquilo que é a nossa História… onde está?… não tá… onde está?… não tá… (gostava tanto de dizer tá tá… !) E apelidar a gente que gosta desta data de nacionalista é um verdadeiro auto-atestado de ignorância. São estes símbolos, estas datas e a nossa História que nos dão um sentimento de pertença, uma identidade. É o orgulho de ser Português que nos torna patrióticos e nos faz querer lutar por este País. Durante o PREC começou o hábito de evitar alguns símbolos nacionais porque os identificavam com a ditadura. Muito bem, podemos dizer agora que temos democracia há quase 50 anos e uma república há mais de 100. Alguém ainda tem medo desses papões?… voltamos ao fascismo? À monarquia? Enquanto não ensinarmos as gerações mais novas a Amar este País e a lutar por ele, pelo seu futuro, Ai naturalmente que o caminho é a emigração. É aliás um dos nossos maiores talentos. E insistimos em abusar do Pessoa que sendo o nosso mais pungente psicanalista teve a infelicidade de dizer que a sua pátria era a língua Portuguesa. Para ele sê-lo-ia certamente, mas nós tomámos essas palavras como nossas para enaltecer a língua e celebrarmos no Dia de Portugal as comunidades migrantes. Mas é isso mesmo, são migrantes – Porque nem só da Língua vive o Homem mas do pão – que lhe falta. Tenho pena que este seja um País sempre adiado. Já nem adiado. O ponto de partida agora é muito mais distante, já não vamos conseguir. Comecei a trabalhar como Arquitecto há quase 30 anos. O meu primeiro ordenado a recibos verdes foi de 176 contos (880 euros). Chegava para tudo. Hoje um Arquitecto recém formado ganha o ordenado mínimo. Lá fora trabalha-se mais, sem rede, e constrói-se uma vida onde se pode. Cá, fica o marasmo, esse inerte e obeso monstro. Se calhar a solução é mesmo emigrarmos todos. Onde é que eu ia?… Ah, viva o tratado de Zamora. | Posted on 05/Oct/2022 21:47:47

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