Nuno Markl Instagram – A conversa sobre se os Coldplay são cool ou não são há muito que deixou de me interessar. Fui fã devoto deles até mais ou menos Viva La Vida; depois disso senti apenas que já não estavam a fazer música para mim e por isso fomos cada um à sua vida. Nunca deixei de os respeitar. O que continua a agradar-me nos Coldplay e, sobretudo, em Chris Martin, é que tudo o que fazem parece vir de um lugar de honestidade e de genuíno culto de algo que pode ser considerado piroso e lamechas num mundo que banalizou a agressão e o ódio: eles cultivam a gentileza e a empatia, seja pelos fãs ou pela Humanidade. E quem faz isso nesta era, já se sabe que leva na tola ou é gozado até à humilhação. E, no entanto, em nenhum momento Martin e seus companheiros respondem ou se envolvem em peixeirada. Apenas continuam a fazer a sua cena, ocasionalmente a não se levarem muito a sério, a adorar o que fazem e a adorar para quem o fazem. No genericamente amargo século XXI ser gentil é o novo punk.
Terem chamado Michael J. Fox para partilhar com eles o palco de Glastonbury é mágico. Eles são grandes demais para precisar de artifícios ou manipulação emocional – o show deles teria sido um êxito com ou sem Michael. Mas quando Chris Martin diz que Regresso ao Futuro os inspirou a entrar no rock, percebemos que Michael J. Fox está ali, genuinamente, por razões do coração. Ele está feliz, eles também, o público idem. Comovi-me com Fix You como quando a ouvi pela 1a vez no álbum X&Y, em 2005. Se isso faz de mim lamechas, ou piroso ou uncool – muito sinceramente, aos 52 anos, já me estou um bocado nas tintas para isso. | Posted on 30/Jun/2024 16:57:09



