Monica Iozzi Instagram – #tbt de uma entrevista que concedi à revista @marieclairebr em 2018. Sempre defendi que toda mulher deveria ter direito ao aborto. O aborto não deveria ser discutido na esfera religiosa, somos uma país laico. Aborto é uma questão de saúde pública.
Milhares de mulheres morrem todos os anos graças a abortos feitos de maneira clandestina. Sendo a grande maioria delas mulheres pobres. Mulheres com boas condições financeiras fazem isto em boas clínicas, com médicos competentes, mesmo sendo algo contra a lei.
Apesar do aborto já ter sido descriminalizado em vários países, no Brasil o aborto ainda é considerado crime, exceto em três situações:
1- para salvar a vida da mulher
2- quando a gestação é resultante de um estupro
3- se o feto for anencéfalo
Mas isto não impede que mulheres que se encaixam nos casos acima consigam acesso ao aborto sem problemas. Lembremos do caso da menininha de 11 anos que foi estuprada, engravidou e teve que fugir da sua cidade para poder realizar o procedimento. Ainda assim, foi perseguida por políticos e religiosos fundamentalistas que tentavam invadir o hospital e por pouco não foi impedida de interromper a gravidez.
Segundo o Ministério da Saúde, 1 mulher morre a cada 2 dias após realizar um aborto inseguro no país. Dados que não devem melhorar enquanto as políticas públicas sobre o tema não forem revisadas.
Mesmo assim o Congresso Nacional colocou em regime de urgência a votação do projeto de lei 1904/24. Este projeto (de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante – PL/RJ) equipara o aborto de gestação acima de 22 semanas ao crime de homicídio simples e aumenta de 10 para 20 anos a pena para quem fizer o procedimento.
Na prática, a vítima de um crime de estupro teria uma pena maior do que o próprio estuprador.
Ou seja, estamos retrocedendo.
Não podemos nos calar! É pelo direito das mulheres serem donas de seus corpos. E pelo direito de crianças poderem continuar a ser crianças. | Posted on 14/Jun/2024 02:40:47



