Gabriel, O Pensador Instagram – Gosto de observar detrás da arrebentação quando a cidade acende suas luzes e faróis e o oceano indiferente ao barulho das buzinas e motores continua a encaminhar suas ondulações em intervalos constantes de 10 segundos aproximadamente. Às vezes, quando já não consigo mais enxergar as ondas vindo, tento contar mentalmente após cada elevação do mar pra sentir quando será a próxima onda e tentar remar e ficar em pé na prancha, na saideira noturna. Quando chego na beira, sem pressa nenhuma, fico mais uns minutos olhando para a arrebentação, já totalmente escura, e agradeço por estar tão bem acompanhado. Ali estou eu reunido e conectado com outros “eus” do passado. O eu de 5 anos atrás num momento semelhante num mar mais gelado, o Gabriel adolescente que ficava na água até escurecer aprendendo a surfar, o meu eu antes da pandemia quando surfava de madrugada no Arpoador sob a luz artificial, o meu eu viajante na mesma situação em uma ilha distante das luzes da civilização, o meu eu do mês passado quando resolvi voltar a surfar e o meu eu de 50 anos atrás, e mais alguns meses, boiando no escuro dentro da placenta na barriga da minha mãe. Solitário surfista desfrutando o lado bom da solidão. E as estrelas também vão chegando e discretamente sorrindo pra mim. Se as ondas estavam boas? Na verdade é o que menos importa, mas o mar está sempre perfeito. E a vida também, se soubermos enxergar direito — ou insistirmos menos em enxergar tanto! | Posted on 14/Apr/2024 05:04:38
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