Anabela Mota Ribeiro Instagram – Se a ditadura não tivesse terminado naquela madrugada, Sara estaria condenada a repetir um padrão de vida de mulher pobre, remediada, sem estudos, sem autonomia. Estaria condenada a ficar emparedada na relação abusiva que viveu durante anos com um homem que precisava de lhe chamar burra e inútil para se sentir importante. Talvez fosse empregada doméstica, como a mãe. Talvez andasse horas, diariamente, no autocarro, com um bloco de notas onde apontaria os nomes de pessoas e de países começados por diferentes letras, para fazer um brilharete na noite de Natal, quando se juntam a jogar stop. Foi a Sara Veiga, tradutora e obviamente escritora, mesmo sem obra publicada, que me descreveu este tempo e esta biografia. Ela e a mãe são as convidadas do dia 30 Abril, terça feira, às 20h.
Os Filhos da Madrugada
Maria do Céu Veiga, reformada, 1955
Sara Veiga, tradutora, 1978
RTP3
Fotografias de Estelle Valente | Posted on 30/Apr/2024 03:39:01



