Há 11 anos, nascia o meu site. O propósito era disponibilizar o essencial do meu arquivo, gratuitamente. Centenas de entrevistas, sobretudo entrevistas, algumas sem outra presença digital (por exemplo, as do DNa). Pelos anos fora, acrescentei o que fui fazendo, programas de televisão, os livros, conferências, as redes sociais como braços e forma de comunicação directa. Obrigada a todos os que lêem, comentam, que me seguem. Obrigada também aos artistas amigos que desenham o meu nome: este ano, volta o Hugo van der Ding. Um agradecimento especial ao Pedro Neves, do Sapo, que desde o primeiro instante me ajuda e resolve a minha nabice para lidar com as máquinas. Foi ele que refrescou a imagem e fez esta coisa bonita: https://anabelamotaribeiro.pt/
A primeira vez que vi este serviço, estava longe e não acreditava que pudesse chegar intacto a casa. A segunda foi no livro Cadernos de Alemão da Lourdes Castro (uma pequena obra de arte onde a artista ensina os rudimentos da língua ao namorado); vi com espanto uma fotografia desta porcelana fina como o papel, com o rebentamento de flores, um azul vivo. Ontem foi a terceira vez, na Feira da Ladra. E lá no fundo, à espreita, a famosa japonesa que aparece em alguns destes serviços. As minhas irmãs lembravam-se da japonesa de uma tia nossa. Eu não. Nunca tive boa memória, mas às vezes consigo juntar cacos e fantasiar a xícara a partir deles.
Uns amigos foram de Lisboa a Setúbal para comprar, no mercado, morangos (e tomate). Quando notei a excentricidade, responderam: mas os morangos são tão melhores, e as netas gostam muito. Em suma: há pessoas para quem qualquer pretexto é bom para fazer uma festa. Outras pessoas, ao contrário, adoram a palavra azeda, acham a felicidade uma coisa de tontos; que pobres. Desses eu fujo a sete pés; são uma canseira e a maldade desgasta muito. Também há aqueles que não são capazes de nada, nem de inventar a alegria nem de atazanar os dias, vivem de parasitar os dias dos outros; menos mal (também me sinto, agora, a parasitar o enredo dos meus amigos). Começo a semana com desejos de estar próxima da Bondade. E os morangos são uma delícia.
André e. Teodósio e Aida Tavares: como é que eu digo obrigada e a minha FeLiCidade?
“O Quarto do Bebé” nasceu a 18 Maio. Forma de dizer que foi para as livrarias nesse dia. Ao longo deste ano, a minha vida mudou. O romance, que é o meu primeiro, e que já não é inteiramente meu, vai na quarta edição. Sabe bem, mas nada rivaliza nem comove como as cartas em que me dizem que o Bebé revela as biografias das suas mães e avós, fala do corpo da mulher, dos demónios que nos assombram o caminho, da descida ao abismo que em algum momento vivemos. Terminei a escrita do romance em Outubro de 2022. Comecei em Março de 2020. Revisões no início de 2024. Sou lenta. Ou não: este é o meu ritmo de gestação. Ontem fui, por acaso, ao hospital onde me retiraram o aparelho reprodutor, e, antes disso, me diagnosticaram o cancro. Tudo se altera. Somos outros depois da doença. A nossa velhice e a relação com a Vida são mais nítidas e dolorosas. Ainda estou a compreender o alcance destas ondas sísmicas. Não tenho palavras para agradecer a tantas pessoas. Porém, coisas práticas: alguns textos sobre o livro em https://anabelamotaribeiro.pt/, e um acesso directo ao meu canal de Spotify. Na playlist que fiz com o ambiente sonoro do romance, não está uma canção que tenho ouvido da Joni Mitchell (deus na Terra). Diz assim: I am on a lonely road and I am traveling / traveling, traveling, traveling / looking for something, what can it be?” Sozinhos, viajantes, à procura: a nossa condição.
O dia da espiga em 2023 foi o dia do lançamento d’ O Quarto do Bebé. Foi um ano fértil e que acompanhou os ciclos da Terra, amparado por Deméter e Perséfone, com Vida e lutos. Este ano percorri esquinas à procura de um ramo (que não queria comprar numa florista), e não encontrei ninguém, nenhum. Não o encaro como um mau presságio, mas antes como uma necessidade de continuar a nutrir-me daquele ramo — que ainda conservo.
“Dei-me conta de que o seu corpo é um bloco de tensão. Seguro-lhe pelo braço e toda ela se enfia nesse espaço, com força. Pedi-lhe várias vezes que soltasse o corpo, que relaxasse. Mas nunca foi capaz de o fazer. Por fim, disse-me: — Eu agarro-me porque não quero que tu fujas. E tudo ficou mais claro para mim. O seu medo de ser abandonada, desamparada, o seu apego às coisas, à roupa, a tudo o que, simbolicamente, traduza atenção e amor. Isso é o contrário do que conheceu a vida toda, se entendermos como vida toda os anos em que teve de sobreviver, com tanta dificuldade.” O Quarto do Bebé é auto-ficção, romance, catarse, resistência. Há momentos em que penso que é sobretudo uma longa carta de amor à minha mãe. A pessoa em quem mais pensei no ano passado foi a minha mãe. Os dias mais felizes do ano passado foram quando dançámos o vira na festa de S. Miguel e quando as suas mãos tocaram, numa caixa de música, sobre um pano de linho grosso, o Música no Coração. Ontem foi o dia da mãe e estive no FeLiCidade. Vou sempre a tempo de me interrogar: em que pensaria esta mulher tão, tão, tão bela?
Filipe Seems: tínhamos todos menos 30 anos. Um dia, fiz um exercício extravagante: entrevistei este personagem de ficção, andei com ele pelos telhados de Lisboa, de gôndola no terreiro do paço, fomos dar aos jardins que se bifurcam de Borges. Eu inventava, o António Jorge Gonçalves e o Nuno Artur Silva inventavam ainda mais, numa dança maravilhosa. Os 3 álbuns do Seems vão ser reeditados e tenho a sorte de, com o João Seixas, repetir tudo, falar com eles, apresentando os livros. Um marco na BD portuguesa. Não faltem: 15 Maio, 19h, Buchholz.
O que a entusiasma: o lugar da utopia. Tradução possível: mudar o mundo? Mas mudar em que sentido?, mas mudar porquê?, com que ferramentas? Cláudia Jardim, actriz e criadora, encontrou no teatro um espaço de liberdade a partir do qual podia questionar o seu lugar, um sentido, esse mistério a que chamamos Vida. Mas fazê-lo, por exemplo, interpretando uma fada com peruca cor de rosa numa peça infantil, ou desconstruindo Shakespeare e todos os clássicos. Tem uma filha de 12 anos, nunca viveu com o pai da Beatriz. Antigamente dir-se-ia que era mãe solteira? Cláudia Jardim actriz e criadora, 1977 Os Filhos da Madrugada última emissão, 6 Maio, RTP3, 20h Fotografias de Estelle Valente
O que a entusiasma: o lugar da utopia. Tradução possível: mudar o mundo? Mas mudar em que sentido?, mas mudar porquê?, com que ferramentas? Cláudia Jardim, actriz e criadora, encontrou no teatro um espaço de liberdade a partir do qual podia questionar o seu lugar, um sentido, esse mistério a que chamamos Vida. Mas fazê-lo, por exemplo, interpretando uma fada com peruca cor de rosa numa peça infantil, ou desconstruindo Shakespeare e todos os clássicos. Tem uma filha de 12 anos, nunca viveu com o pai da Beatriz. Antigamente dir-se-ia que era mãe solteira? Cláudia Jardim actriz e criadora, 1977 Os Filhos da Madrugada última emissão, 6 Maio, RTP3, 20h Fotografias de Estelle Valente
O que a entusiasma: o lugar da utopia. Tradução possível: mudar o mundo? Mas mudar em que sentido?, mas mudar porquê?, com que ferramentas? Cláudia Jardim, actriz e criadora, encontrou no teatro um espaço de liberdade a partir do qual podia questionar o seu lugar, um sentido, esse mistério a que chamamos Vida. Mas fazê-lo, por exemplo, interpretando uma fada com peruca cor de rosa numa peça infantil, ou desconstruindo Shakespeare e todos os clássicos. Tem uma filha de 12 anos, nunca viveu com o pai da Beatriz. Antigamente dir-se-ia que era mãe solteira? Cláudia Jardim actriz e criadora, 1977 Os Filhos da Madrugada última emissão, 6 Maio, RTP3, 20h Fotografias de Estelle Valente
O que a entusiasma: o lugar da utopia. Tradução possível: mudar o mundo? Mas mudar em que sentido?, mas mudar porquê?, com que ferramentas? Cláudia Jardim, actriz e criadora, encontrou no teatro um espaço de liberdade a partir do qual podia questionar o seu lugar, um sentido, esse mistério a que chamamos Vida. Mas fazê-lo, por exemplo, interpretando uma fada com peruca cor de rosa numa peça infantil, ou desconstruindo Shakespeare e todos os clássicos. Tem uma filha de 12 anos, nunca viveu com o pai da Beatriz. Antigamente dir-se-ia que era mãe solteira? Cláudia Jardim actriz e criadora, 1977 Os Filhos da Madrugada última emissão, 6 Maio, RTP3, 20h Fotografias de Estelle Valente
A minha sessão de Um Filme Falado, na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, este fim de semana, coincidiu com os concertos comentados da Casa da Música. No essencial, os programas assemelham-se. Trata-se de exibir clássicos do cinema, ou uma sinfonia de Beethoven, e escutar pessoas que nos ajudam a ver, sugerem imagens, destacam sequências e andamentos. Fui pela primeira vez. Fiquei maravilhada com o discurso de Daniel Moreira, tão sólido e poético, associando sons a imagens poderosas (parecia pintura). Delicado como os pássaros que aparecem na Pastoral, assim chamada a nº 6 de Beethoven. Ouvi a sinfonia nos últimos dias, forma de me sintonizar com o concerto de hoje. Mas é como ter um grande professor: o conhecido ganha outra nitidez ou sonoridade. Passei a ouvir “sentimentos de alegria e gratidão após a tempestade”. Parabéns à Orquestra Sinfónica do Porto, ao director musical, a todos. Pedi à Casa da Música fotografias (são do Fábio Poço) para vos dizer: não percam estes concertos comentados. E, puxando para a minha tela, não percam as sessões de cinema. Dia 15 Junho, mostramos Mamma Roma, com comentários da Beatriz Batarda e do Pedro Mexia. Sábado em Serralves, domingo na Casa da Música: como não amar o Porto?
A minha sessão de Um Filme Falado, na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, este fim de semana, coincidiu com os concertos comentados da Casa da Música. No essencial, os programas assemelham-se. Trata-se de exibir clássicos do cinema, ou uma sinfonia de Beethoven, e escutar pessoas que nos ajudam a ver, sugerem imagens, destacam sequências e andamentos. Fui pela primeira vez. Fiquei maravilhada com o discurso de Daniel Moreira, tão sólido e poético, associando sons a imagens poderosas (parecia pintura). Delicado como os pássaros que aparecem na Pastoral, assim chamada a nº 6 de Beethoven. Ouvi a sinfonia nos últimos dias, forma de me sintonizar com o concerto de hoje. Mas é como ter um grande professor: o conhecido ganha outra nitidez ou sonoridade. Passei a ouvir “sentimentos de alegria e gratidão após a tempestade”. Parabéns à Orquestra Sinfónica do Porto, ao director musical, a todos. Pedi à Casa da Música fotografias (são do Fábio Poço) para vos dizer: não percam estes concertos comentados. E, puxando para a minha tela, não percam as sessões de cinema. Dia 15 Junho, mostramos Mamma Roma, com comentários da Beatriz Batarda e do Pedro Mexia. Sábado em Serralves, domingo na Casa da Música: como não amar o Porto?
A minha sessão de Um Filme Falado, na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, este fim de semana, coincidiu com os concertos comentados da Casa da Música. No essencial, os programas assemelham-se. Trata-se de exibir clássicos do cinema, ou uma sinfonia de Beethoven, e escutar pessoas que nos ajudam a ver, sugerem imagens, destacam sequências e andamentos. Fui pela primeira vez. Fiquei maravilhada com o discurso de Daniel Moreira, tão sólido e poético, associando sons a imagens poderosas (parecia pintura). Delicado como os pássaros que aparecem na Pastoral, assim chamada a nº 6 de Beethoven. Ouvi a sinfonia nos últimos dias, forma de me sintonizar com o concerto de hoje. Mas é como ter um grande professor: o conhecido ganha outra nitidez ou sonoridade. Passei a ouvir “sentimentos de alegria e gratidão após a tempestade”. Parabéns à Orquestra Sinfónica do Porto, ao director musical, a todos. Pedi à Casa da Música fotografias (são do Fábio Poço) para vos dizer: não percam estes concertos comentados. E, puxando para a minha tela, não percam as sessões de cinema. Dia 15 Junho, mostramos Mamma Roma, com comentários da Beatriz Batarda e do Pedro Mexia. Sábado em Serralves, domingo na Casa da Música: como não amar o Porto?
Felicidadania: a lutar por isso com: Aida Tavares, André e. Teodósio, Gonçalo Riscado, Madalena Wallenstein, Nádia Yracema, Sara Carinhas, Tiago Bartolomeu Costa, Joana&José, Sónia Câmara, Francisco Vidal, a superlativa equipa CCB, a Teresa Miguel do Teatro Praga, as centenas que participaram, os milhares que foram.
13 Maio: “verdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto”, escreveu Machado de Assis (neto de escravos forros). Abolição da escravatura no Brasil em 1888.
13 Maio: “verdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto”, escreveu Machado de Assis (neto de escravos forros). Abolição da escravatura no Brasil em 1888.
📰🗣️ PROGRAMAÇÃO CONVERSAS 🗣️📰 Não restam dúvidas, o FeLiCidade está quase, quase aí! Arrasta para o lado para ver a programação das Conversas. 📍@ccbelem 🎟️ Entrada livre ℹ Descobre mais no site, através do link na bio. O festival FeLiCidade tem o apoio da Comissão dos @50anos25deabril. #FelicidadeCcb2024 #Ccbelem #CentroCulturalDeBelém #LisbonActivities #CPLP #WhatToDoInLisbon #diamundialdalínguaportuguesa
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Quando Claudia estende o copo de água, ela é uma aparição bíblica, pura fonte, pura vitalidade. Ainda que a música do Oito e Meio seja outra, lembro-me sempre desta de Gilberto Gil: “Traga-me um copo d’água, tenho sede. E essa sede pode me matar. Minha garganta pede um pouco d’água. E os meus olhos pedem o teu olhar”. Falo sobre este filme de Fellini com o escultor Noé Sendas (que fez em tempos uma instalação chamada “Claudia”, claro) e a escritora e professora de literatura Raquel Ribeiro. Na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, em Serralves, sábado, 17h.