Rubel Instagram – Seguindo a retrospectiva dos clipes, esse é O Velho e O Mar, dirigido pelo meu amigo Fabian Cantieri.
A música fala sobre a ideia de que é a experiência que pode dar sentido à vida. Eu tinha começado a ler algumas coisas do Sartre (principalmente o livro “existencialismo é um humanismo”) quando escrevi essa música. Mesmo que tenha entendido ainda superficialmente muito daquele pensamento – que é extremamente complexo e cheio de nuances, e ainda hoje me escapa – aquele texto me causou uma impressão muito profunda. A possibilidade de pensar que a vida não tem um sentido pré-existente, absoluto, mas que ainda sim ele pode ser inventado ou escolhido – e que essa justamente é a responsabilidade de cada indivíduo – me abriu uma janela de compreensão para a realidade. Eu ainda era ateu àquela época e a sensação de ausência de sentido me angustiava. A música fala sobre esse sentimento de encontro com uma possibilidade mais luminosa de existência, da eleição de alguns movimentos da vida como chaves: a coragem, os encontros, as estradas, os amores, as amizades, uma postura assertiva diante da vida (o que em algum lugar também dialogava com O Velho e O Mar do Hemingway). Esse é o coração do disco Pearl.
A ideia do clipe era traduzir um pouco disso, ou ao menos a parcela da ideia de experiência como força motriz da vida. A premissa, portanto, era viver uma experiência catártica e registrar isso com uma câmera. Uma missão ingrata, porque não se escolhe exatamente viver uma experiência transformadora. Geralmente essas vem à nossa revelia. Mas, mesmo diante dessa contradição empírica, tentamos. Reunimos um grupo de amigos, fomos para uma cidade no litoral do Rio chamada Carapebus, em busca de alguma coisa que não sabíamos exatamente o que era.
(Continua nos comentários) | Posted on 15/Mar/2024 20:41:49



