Petra Costa Instagram – Hoje, 7 de setembro, vemos ruas tomadas por vozes que pedem “anistia já”. Bandeiras, faixas, gritos de “Volta Bolsonaro” e “Liberdade não se fatia”. Um microcosmo da polarização que rasga nossa frágil democracia. Um momento ritual de força, convocado como resposta diante da Justiça em processo.
Mas, justamente, a liberdade foi diversas vezes vítimas do que se constrói ali. Em 7 de setembro de 2021, durante ato em Brasília, a equipe do Apocalipse nos Trópicos foi cercada e hostilizada ao tentar registrar os fatos. João Atala (@joaoatala), diretor de fotografia, Fernando Cavalcante, técnico de som, e Adriana Yañez (@adriana_yanez), diretora de unidade adicional, foram agredidos.
Um sinal doloroso de que, entre as multidões, qualquer câmera pode ser alvo. Jornalistas e profissionais da imagem têm enfrentado hostilidade crescente, ecoando cenas de violência política que deveriam ficar nos livros de história, não no cotidiano.
A escalada da agressividade não se restringe à repressão simbólica: toca em quem está atrás das lentes, em quem busca testemunhar, documentar, refletir. Há uma tensão que não suporta o olhar – como se registrar fosse desrespeitar um pacto invisível. Mas é exatamente esse olhar que tentam calar.
Onde estamos quando a rua exige impunidade e simultaneamente ataca quem escolhe documentar os fatos? | Posted on 08/Sep/2025 02:42:05



